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01 março 2012

Felizes os que não leem, mas riam e choram à frente de televisão.


“A minhoca C. elegans tem exactamente 302 neurónios e cerca de 5.000 conexões interneuronais.”
p.65, Ao Encontro de Espinhosa de António Damásio.

     O desconcerto das palavras e das frases, a ideias gelatinosas que acabam por perturbar uma pacífica mente. Já várias vezes parei de ler um, dois dias, já até pensei em rasgar o livro, ou mesmo queimá-lo tipo auto inquisidor.
     Pouco tempo antes tinha estrafegado com a ida ao Inferno com Dante e Virgílio, trazendo dissabores existenciais.
      Por vezes chego a pensar:
Felizes os que não leem, mas riam e choram à frente de televisão. 

30 junho 2011

desaBAFO literário: Loucura

“Assim se foi, apesar de Dom Quixote o importunar ainda para que ao menos lhe visse fazer duas loucuras. Mas nem tinha andado cem passos, quando voltou e disse:
_ Digo, senhor, que vossa mercê disse muito bem que para que eu possa jurar sem carga na consciência que o vi fazer loucuras, será bom que veja uma, se bem que uma, e bem grande, lhe vi fazer já, ficando vossa mercê só.
- Não to dizia eu? – disse Dom Quixote – Espera, Sancho, que num credo a farei.
E despindo os calções a toda a pressa, ficou em carnes e roupa de baixo, e logo, sem mais aquelas, deu dois saltos no ar e duas cambalhotas, com a cabeça em baixo e os pés no ar, descobrindo coisas que, para não as ver outra vez, Sancho soltou as rédeas a Rocinante, dando-se por contente e satisfeito de que podia jurar que o seu amo estava louco. Assim, deixá-lo-emos seguir o seu caminho, até à volta, que não tardou.” In D. Quixote de La Mancha, de Miguel Cervantes

Sobre esta obra alguém disse : Parabéns a quem ainda não leu, porque ainda terá oportunidade de a ler.

08 junho 2011

escrever...

Procuraria escrever sobre mares e montanhas, sobre verdejantes prados alimentados por rios ou ribeiras, a natureza das coisas pintadas por palavras coloridas e calmas.

Exploraria sentimentos de amor e compaixão, de perdas e reconciliações , derramando tinta em linhas angustiantes .

Incendiaria as lutas e a indignação, esgrimindo as injustiças, a desumanidade, enchendo de pólvora estas páginas.

Desenharia traços, curvas e rectas, rascunhando em poucas letras o que me vai na mente e na alma.

Invocaria as penas de escritores, como Eça e Garrett e as armas dos revolucionários Ché e Trotsky. Enunciaria aindaartigos de constituições e declarações.

Mas as imagens que me surgem nos recantos da imaginação, nas corridas e embates neuronais, pouco a pouco escurecem a vontade de escrever sobre isto ou sobre aquilo.

Abacaxi/ananás - imagem Retirada da Manjedoura

22 abril 2011

Liberdade de expressão

“ Tudo isto te isenta e liberta de todo o respeito e  obrigação, e podes assim dizer sobre a história tudo aquilo que te parecer, sem medo que te caluniem pelo mal nem te premeiem pelo bem que dela disseres.”  Miguel de Cervantes (1547-1616)
D. Quixote e Sancho Pança ( ilustração de Gustave Doré)

e

BOAS PÁSCOAS

04 abril 2011

Quem é responsável pela crise politica e económica em Portugal?



retirado  do google
 (...) 
“- Ciclope, perguntas-me o meu nome. É muito conhecido. Mas já que o ignoras, vou-to ensinar, e terás depois de me entregar o presente prometido. Chamo-me NINGUÉM; meu pai e minha mãe chamavam-me assim, e todos os meus companheiros me chamam NINGUÉM.


_ Ah! Sim, respondeu o ciclope. Pois já que te chamas NINGUÉM, NINGUÉM será o último de vocês todos que eu devorarei. É esse o meu presente!

Ao acabar de dizer estas palavras, tombou para o lado, a cabeça dobrada sobre o ombro, ébrio de todo. Um sono profundo e toma, e ressona estrondosamente. Não perco um minuto – vou buscar a estaca preparada, aqueço-a na cinza ardente, e estimulo a coragem dos meus companheiros. Juntamos as nossas forças, e no olho cerrado do ciclope enterramos o madeiro ponteagudo. Faço-o andar à roda como penetrante verruga. E, antes mesmo que o ciclope acordasse , já o tínhamos cegado.

Mas desperta por fim, e começa a bramir raivosamente, torcendo-se de dores. Afastámo-nos para longe, não fosse ele deitar-nos a mão! O mostro gritava por socorro, chamava aflitivamente os outros ciclopes. Vêm todos, acodem todos, e do lado de fora do antro, fechado ainda, interrogam-no:

- Que te aconteceu, Polifemo? Porque nos acordas no meio da noite? Quem te fez mal? Alguém atenta contra a tua vida?

- O terrível polifemo responde lá de dentro: _ Ai! Meus amigos, é NINGUÉM que me mata, é NINGUÉM!

- Então, dizem ele, se ninguém te faz mal, de que te queixas? O teu mal não tem remédio, e não lhe sabemos a causa. Tem paciência e sofre com resignação…

E voltaram para as suas cavernas, enquanto eu ria ao pensar na bela ideia que tivera, baptizando-me com o nome de NINGUÉM…”

(...)

In A Odisseia de Homero de João de Barros


10 março 2011

O Nosso Nome

Miguel Unamuno
“Há quem use como um castigo o seu nome, como corcova que ao nascer lhe impuseram. Em rigor, devia aguardar-se que o homem desse os seus frutos para lhe se pôr um nome a ele ajustado ; enquanto não ostentasse carácter próprio não devia de ter mais que nome provisório ou interino.”    In Amor e Pedagogia – Nada Menos que Todo Um Homem de Miguel Unamuno.

14 fevereiro 2011

a imaginação - Montaigne

Parei na página 55 dos Ensaios de Montaigne


Fortis imaginato generat casum (uma imaginação robusta produz os acontecimentos)

“ A impressão da minha fantasia afecta-me e ponho todo o esmero e cuidado em fugir-lhe, por carecer de forças para resistir ao seu fluxo”

“ Não me parece extraordinário que a imaginação, só por sim, produza febres e morte naqueles que não sabem contê-la. “

Até onde pode a imaginação nos levar, quantas e quantas coisas podemos imaginar ficção ou realidade, do perverso ao sensato, quais são os limites do imaginário. Mais do que o sonho de Gedeão, mais do que a arte de Picasso, mais do que super-homens e homens aranhas , a nossa imaginação supera-os a todos. Guardados nos nosso segredos, temos imaginado e continuamos a imaginar coisas que nem lembra a ninguém.

A imaginação é um mundo infinito onde todos é possível, em que por vezes temos de fugir e conter.

Bem tenho de ir trabalhar…

23 abril 2010

e porque não um escritor madeirense no Dia Mundial do Livro

No dia Mundial do Livro aconselho a leitura de uma obra, " A Mão de Sangue", de um escritor madeirense João Augusto D`Ornelas, enquanto os outros vêem novelas.