27 abril 2011

Portugal em 2025

      Verdes terras, poios verdejantes até ao cimo das montanhas, cheios de milho, trigo, batata, vinhais perdidos nas sobranceiras das encostas, fruteiras em flores despertam as abelhas e nas levadas brilham a água de rega, palheiros de gado, vacas, ovelhas, carneiros, porcos e coelhos, caminhos estragados pelo passar das pessoas. Assim em pleno dia de verão de 2025 olhava o Exercista para a paisagem agreste da encosta nortenha da ilha da Madeira toda cultivada.

      Lembrava-se do que lhe diziam os antigos que haveríamos de chegar ao dia em que estes vales e estas planícies iam-se encontrar novamente cultivadas e muita gente iria passar fome. Lembrou-se também de finais de 2012, do ano em que se desmoronou o mercado financeiro, com o colapso total da bolsa de valores de Nova York, que iniciou até hoje a desvalorização do comércio livre e da moeda. A profunda crise social e económica, o desemprego, a falta de dinheiro em circulação, o endividamento público e privado, tem levado cada vez mais as pessoas à agricultura devido á escassez de bens e também pelo facto das pessoas não conseguirem imigrar, pois noutros países a situação estava igual ou pior. A Madeira perdera a capacidade económica para comprar muitos produtos lá fora, obrigando-nos a produzir a nossa própria alimentação.

     O Exercista era um Guarda Agrícola que tinha como responsabilidade a vigilância das propriedades agrícolas, observando os campos através dos postos de vigilância ou percorrendo constantemente os íngremes poios. Profissão criada em 2018 para combater os constantes roubos dos alimentos cultivados.

8 comentários:

Luís Coelho disse...

Imaginação não falta por aqui.
Os campos continuam ao abandono e os nossos políticos continuam a sonhar...

Kruzes Kanhoto disse...

Não sei não...A realidade ultrapassa quase sempre a ficção.

Gisa disse...

Uma ficção perfeitamente possível...
Um grande bj

Rogério Pereira disse...

Se os coelhos entram na enumeração, isto só pode ser (má) ficção... Ou não!!!

M. disse...

Haja criatividade...A concretizar-se acho que o texto será escrito em castelhano:)

Catarina Reis disse...

Uma ficção a tocar na realidade. Gostei muito. Beijos

Janita disse...

Ficção que pode, ou não, vir a ser uma realidade.
Pelo menos foi criada mais uma categoria profissional, nada mau!

Parabéns, gostei muito.
Bjos.
Janita

Campista selvagem disse...

A VIVER ESTA REALIDADE...
boa 2o25, ainda bem que já não há ALBERTO JOÃO POR AQUI, FICOU A LENDA DE UM SALAFRÁRIO MALVADO.